SOBRE TER MAIS DE UM PROJETO NA VIDA E MAIS DE UM CÍRCULO DE CONVÍVIO

Como leitora ávida, li um artigo de um neurocientista afirmando o bem que faz para o ser humano ter mais de um projeto na vida. Não guardei e nem me recordo o nome do autor. Entretanto, não me esqueço do seu conselho.

Para o autor, é saudável e nos faz bem termos mais de um projeto na vida (atividades, nas minhas palavras). Um exemplo: não viver só para trabalhar ou só para a família. Claro, se essa for a opção da pessoa, respeitemos. Porém, se tivermos mais de um projeto, podemos evitar possíveis desgastes e sofrimentos futuros. Meu avô trabalhou no INPS, hoje INSS, por toda sua vida. Rotina: casa, trabalho, casa para almoçar, trabalho, casa. Resultado: aposentou, entrou em depressão e faleceu depois de 15 anos. Tenho certeza que nesses 15 anos ele “não viveu”. Outro exemplo, só que contrário: convivo com uma pessoa há 20 anos que trabalha, fez outra graduação, exercita-se, estuda outra língua, fez curso de violão e administra todas as suas atividades com foco e disciplina. Caso fracassasse ou se decepcionasse em algum contexto, reagiria de maneira diferente e teria mais energia para superá-los.

E sobre ter mais de um círculo de convívio? De acordo com Yuval Harari, seres humanos conviviam, quase que harmonicamente, em um bando de, no máximo, 100 pessoas. Hoje, é fato que nós, homos sapiens, somos a espécie que mais sobrevive aos tempos pela nossa capacidade de cooperação e, nas minhas palavras, temos a chance de ter relações de convívio com mais pessoas. No recente livro da Michelle Obama, Minha História, ela descreve que seu esposo, Obama, estava sempre envolvido com várias atividades e pessoas. Segundo a autora, isso lhe dava prazer e sentido na vida. Cito minha experiência: há anos passei a ter mais círculos de convívio: grupo da escola da minha filha, grupo de trabalho, grupo de condomínio e grupo de verdadeira amizade. Confesso que sou, de fato, uma pessoa que amo con-viver. Me faz muito bem. Não estou com eles ao mesmo tempo e nem o tempo todo, mas me sinto muito grata em tê-los. Papos e energias diferentes, vista do ponto (vista do ponto mesmo), às vezes, oposto e saudável.

É claro que situações desagradáveis, inesperadas e fora do nosso controle acontecem e acontecerão. Eu e essa pessoa que convivo há 20 anos estamos passando por um redemoinho. O que tem nos feito sofrer menos e não nos entregarmos, são as diversas atividades que temos e diversas pessoas que convivemos. Acordamos seguros que temos a oportunidade de não parar, que temos a opção de errar e saber o que fazer (caminhar, trabalhar, rezar, estudar francês, tomar uma taça de vinho, chorar, rir) e com quem contar (família, amigo de um grupo e/ou de outro grupo). Concluo, com muita sinceridade: permitamo-nos fazer algo diferente, fugir da rotina, ir ao cinema várias vezes com diferentes pessoas. Como diz o ditado: não colocar os ovos na mesma cesta.

3 Comments

  • Parabéns, que nossas atividades nos conduzam a uma maior harmonia em uma vida bem vivida longe do ativismo, mas plena de sentido. Em tudo que colocamos amor, se torna amor e se torna mais leve de ser vivido,assim nosso trabalho, família, amigos, tudo muito harmonizado em
    nossas relações humanas e em nossa relação com Deus. Shalom❤️

    Aline Veras 28.03.2019
  • Leone, o texto está perfeito trazendo uma visão de futuro da nossa sociedade. Se relacionar é segredo para viver mais!

    Camila Tertuliano 29.03.2019
  • Olá, Leone, gostei muito de seu artigo: direto ao ponto do que nos faz sentir vivos, atuantes e úteis, a nós e ao próximo. Muito bom! Continue, por favor!

    Maria de São João Alves Marques Condez 28.11.2019

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